EFA, FEPASA e Ferronorte em Rubinéia, SP.
Somente no ano de 1952 a Estrada de Ferro Araraquara chegou no que seria seu ponto final: as barrancas do rio Paraná. Como tantas outras ferrovias paulistas, com exceção da CMEF e NOB, a EFA daqui não passou. Sua intenção era prosseguir até Cuiabá, e quem sabe para além, conectando com a CPEF próximo a Santarém (sim, a Paulista chegaria lá) para ambas seguirem juntas para o Peru.
Suas duas últimas estações inauguradas foram Santa Fé do Sul e Presidente Vargas, inauguradas no mesmo dia. Inicialmente ambas eram casebres de madeira, para só depois serem construídas com arquitetura equivalente as demais estações da linha tronco.
Acima: estação original de Santa Fé do Sul em 1952. Foto: autoria desconhecida.
Presidente Vargas não era o nome da cidade, quase uma vila pelo seu tamanho. O nome da cidade era Rubinéia, e aqui ficou o ponto final da EFA.
Em Sta Fé do Sul, a estação recebeu inicialmente bitola métrica, sendo trocada para 1,6m no começo dos anos 1960. Continuou aberta para passageiros e cargas até 1997, quando o trem de passageiros deixou de passar po ali.
Acima: estação de Santa Fé do Sul em 2001, já sem trens de passageiros, mas ativa pela ALL para trens de carga. Foto: Hermes Hinuy.
Em Pres. Vargas, a estação durou apenas 21 anos. Segundo informações, menos ainda. O fato é que em 1973 a construção de uma represa no rio Paraná inundou a cidade de Rubinéia e a estação, que já não tinha mais trilhos (retirados talvez entre 1969 e 1973). Parte do leito também foi inundado. Uma nova cidade surgiu em área próxima, mas não tinha mais ligação com a ferrovia. Além do leito abandonado, sobraram os pilares da plataforma, que ficam submersos a maior parte do tempo, mas em épocas de seca acabam aparecendo no meio da represa, junto com os esqueletos das árvores próximas.
Acima: pilares da estação de Presidente Vargas, em Rubinéia, durante uma seca no Rio Paraná, em 1987. Foto: Walter Langbeck.
Na década de 1980 começou a construção da Ferronorte, que nada mais é que a continuação da CPEF e EFA em direção a Cuiabá, Santarém e o Peru, mas em concessão de outra empresa. A ferrovia tem forma aproximada de X, sendo que os dois braços de baixo partem de Minas Gerais e de São Paulo (mais especificamente Santa Fé do Sul), cruzam entre Rondonópolis e Cuiabá, e separam-se nos dois braços de cima que seguem para Porto Velho e Santarém.
Foi decidido pela empresa, após estudos técnicos, começar a construção da linha por São Paulo, conectando-se a FEPASA (ex-EFA) por Santa Fé do Sul. A Ferronorte começa efetivamente nas barrancas do rio do lado de Mato Grosso. Entre as barrancas, o rio e o fim da EFA, a construção era de responsabilidade da FEPASA.
A ferrovia paulista resolveu usar parte do leito abandonado desde 1973, no trecho em que não foi inundado pelas águas. Em cerca da metade do caminho para Rubinéia (velha), a linha faz uma curva de 90º para o norte, seguindo por leito novo, construído entre 1992 e 1997, até a ponte sobre o rio Paraná que foi construída pelo governo estadual, como ponte rodoferroviária, conectando-se a Ferronorte do outro lado. No começo de 2000 os primeiros trens começaram a passar por ali.
Acompanhem na montagem abaixo (clique em cima para ampliar):
- Em amarelo: a linha da EFA, depois FEPASA, ainda em uso. O marcador, no canto esquerdo inferior, marca a estação de Santa Fé do Sul.
- Em azul céu: o trecho erradicado em 1973 e que não foi aproveitado durante a construção da Ferronorte. É possível ver que o fim do mesmo se encontra agora no meio do rio. Não é possível encontrar o local exato da estação.
- Em vermelho: a nova ligação da FEPASA e da ponte rodoferroviária com os trilhos da Ferronorte, partindo do leito da EFA, separando-se da linha antiga mais ou menos no meio do caminho entre Santa Fé do Sul e Rubinéia (velha).
- Em rosa: o começo da Ferronorte já em Mato Grosso do Sul, fazendo uma curva de 180º para vencer um desnível de 15 metros entre a ponte e a continuação da linha.
- Em verde: provável projeto de leito original da Ferronorte assim que saísse da ponte, abandonado logo no início das obras.
Outras informações serão bem vindas.
Fontes de pesquisa:
- Fotos das estações: Estações Ferroviárias do Brasil (http://estacoesferroviarias.com.br)
- Fotos de satélite: Google Earth.





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