Começo hoje uma série de postagens que tem mais a função de mostrar algumas curiosidades a respeito das ferrovias no país. Inicialmente começarei pelas linhas da CPEF/FEPASA, estendendo depois para outras ferrovias e outros estados. Meu obejtivo aqui é comparar leitos antigos com variantes (quando possível), encontrar ramais antigos e já há muito desativados, retificações de linhas e projetos abandonados pelas estatais ferroviárias. Quando possível vou inserir fotos, com os créditos devidos, para mostrar a região além do uso de fotos de satélite, retiradas do GoogleEarth.
Estação Boa Vista.
Originalmente uma estação da CPEF, Boa Vista foi inaugurada em 1872, durante as obras de prolongamento da linha para Rio Claro. Era uma estação de cruzamento, e para atender aos bairros rurais do local. Não é o mesmo prédio que existe até hoje, era menor e tinha dois anexos ao lado. Em algum momento entre 1905 e 1918 foi construído o prédio atual, seguindo o modelo que a empresa implantou para estações médias e que duraria até o fim de sua existência.
Acima: estação original de Boa Vista, em 1905. Abaixo: a estação atual, recém inaugurada, em 1918. Fotos: Filemon Peres, para o Álbum Ilustrado de Cinquenta Anos da CPEF.
A partir de 1975 passou a ser o ponto de saída da variante Boa Vista - Guedes, na CMEF, cujo primeiro objetivo era atender com trens de ambas as ferrovias a planta de refinamento de combustíveis de Paulínia (a REPLAN). Mas o objetivo principal era, futuramente, retirar os trens da Mogiana e Sorocabana do centro da cidade de Campinas.
Acima: estação de Boa Vista, ainda bem cuidada, em 1975, quando da inauguração da primeira alça de acesso da variante Boa Vista - Guedes, já com linha mista. Foto: José Roberto Pascon.
Durante as décadas de 1970 e 1980 foi construída uma verdadeira linha nova em Canguera (EFS) e Jaguariúna (CMEF), possibilitando a desativação da linha original da CMEF até Jaguariúna (com exceção do trecho que ficou em comodato à ABPF, e que trataremos em outra postagem) e do ramal de Campinas da Sorocabana (aproveitado em parte posteriormente para o já finado VLT de Campinas). Os trens de ambas ferrovias agora tinham uma ligação direta através de Boa Vista Nova, um pátio construido junto do da CPEF mas em nível abaixo do dele, para possibilitar a construção de um trevo ferroviário na área. Para que os trens de passageiros chegassem em Campinas, foi colocado terceiro trilho entre a estação central da Paulista e os pátios de Boa Vista.
Acima: na época de sua abertura, um carro de passageiros da CMEF atuou provisoriamente como estação, visto aqui em 1979, até que o prédio de Boa Vista Novo fosse concluído. Foto: José Roberto Pascon. Abaixo: estação e pátio de Boa Vista Nova em 2011. Foto: Artur F. Silva.
Uma série de retificações foram feitas no tronco da CPEF também, para adequá-lo as condições de linha no local, além de que foram construídos ramais para captação de carga e dando acesso ao parque industrial ferroviário de Hortolândia, sem contar os ramais para a Replan e diversos outros que ainda existem, existiram ou nem foram implantados (e que serão objeto de estudo em futura postagem).
- Em azul céu: a linha tronco da CPEF em sua configuração atual, após as retificações, que é utilizada pelos trens cargueiros. Sua concessão é da ALL, apesar de seus trens não seguirem mais de Boa Vista até Jundiaí.
- Em amarelo: ramal de ligação com o porto seco de Hortolândia, CAF e Maxion.
- Em vermelho: trechos desativados da linha tronco da CPEF, em seu leito nos anos de 1970. Uma parte dessa linha ainda é ativa no ramal de ligação com o porto seco de Hortolândia (linha amarela).
- Em branco: alça de acesso a estação Boa Vista Nova, ligando direto o tronco da CPEF com o da CMEF para os trens que vinham de Campinas e São Paulo. Atualmente tem pouco uso visto que a linha só é usada por trens da MRS quatro a seis vezes por dia, e por raríssimos trens de manutenção da ALL. Se estende por cerca de 1 km para poder vencer o forte desnível entre as ferrovias.
- Em verde: alça de ligação entre a linha da CPEF e a variante Boa Vista - Guedes da CMEF, para os trens que vinham do interior. Primeira que ficou pronta em 1975, se estendendo por 1,5 km para também vencer o desnível.
- Em creme: alça de ligação entre a linha da CPEF e a variante Boa Vista - Guaianã, da EFS, para os trens que vem do interior sentido a Santos, que se estende por 2 km para vencer o desnível. É atualmente a linha mais usada, por todos os trens que descem da Ferronorte.
- Em laranja: a linha tronco métrica da antiga FEPASA, unindo os trilhos da CMEF (acima do tronco da CPEF) com os da EFS (abaixo do tronco da CPEF).
- Em rosa: possíveis antigos leitos e ramais da ferrovia na área. Não é possível afirmar, mas talvez conforme o bairro fosse crescendo, a CPEF mudou sua linha de lugar pelo menos três vezes, além de desativar um ramal que deveria recolher cargas de café naquele local. É possível ver pelas fotos de satélite que essas trilhas tem curvas perfeitamente delineadas, e todas elas se unem ou parecem se unir próximas ao antigo leito desativado pela FEPASA nos anos 1970. Se forem mesmo leitos desativados, faz muito tempo que ocorreram essas mudanças. Outra possibilidade é que sejam ruas que foram traçadas mas não construídas.
A quarta alça de acesso, que ligaria os trilhos da CPEF com os da EFS para os trens que vinham da capital ou Campinas, nunca foi construída, talvez devido a essa mina (?) que aparece ao lado da ferrovia, na foto. Uma curiosidade é que a linha métrica (na realidade mista, com as duas bitolas juntas) de ligação entre a CMEF e EFS é de concessão da ALL até o fim do pátio de Boa Vista Nova, daí entrando em concessão da FCA.
Informações extraídas de:
- Fotos e informações Boa Vista (CP): http://www.estacoesferroviarias.com.br/b/boavista.htm
- Fotos e informações Boa Vista Nova: http://www.estacoesferroviarias.com.br/b/boavistafep.html
- Fotos de satélite: Google Earth.
Quem quiser colaborar com mais informações ou correções, fique a vontade.







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