quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Erka e Metalma: ferreomodelismo do passado.

Para uma história do hobby no Brasil
A bitola O brasileira ("Brazilian O Gauge")
J. O. Berner – Railroad Model Craftsman –Mar-1968 — // — Centro-Oeste n° 75 – 1°-Fev-1993
Foi para mim uma agradável surpresa, receber do amigo B.-L. Liljeberg a xerox deste artigo, publicado nos EUA há 1/4 de século. Infelizmente, não é possível aproveitar as fotos da xerox. O desenho da loco Metalma é praticamente o mesmo da loco "a vapor" da Estrela (foto no CO-70). O formato dos carros Erka lembra o trem "Ouro Branco" da EF Sorocabana. A xerox não permite conferir se o oval realmente continha as iniciais "EFB" — citadas no texto —, ou "EFS".
J. O. Berner foi colaborador da antiga Sport Modelismo, editada em São Paulo, SP, de 1967 a 1969, pelo aeromodelista Walter Nutini.
Agradeço ao Marcelo Lordeiro a revisão do texto traduzido (FRC).

Entre os trens de brinquedo estranhos aos colecionadores dos EUA e Canadá, estão os
brasileiros produzidos pela Erka e pela Metalma, de safra recente.
Os importados dominaram por longo tempo o mercado brasileiro de trens de brinquedo. Trens de mecanismo a corda e elétricos vinham da Inglaterra, Alemanha, França,Estados Unidos e outros países. Antes da II Guerra Mundial (1939-1945), eram comuns os trens europeus.
Ao fim da guerra, e até 1950, Lionel fez sua aparição no Brasil. Os preços crescentes dos trens de bitola O fizeram-nos gradualmente dar lugar aos trens S e HO importados.
Tivemos no Brasil apenas 2 fabricantes de trens de brinquedo em escala O: — Metalma e Erka.

Metalma

A Metalma iniciou sua produção no início dos anos 30, fazendo apenas trens de mecanismo a corda. O conjunto consistia de uma loco a vapor carenada, com tênder e 2 carros de passageiros com letreiro "Pullman", e um círculo de trilhos. Ao longo dos anos, uma estação, cruzamento, ponte, semáforo e túnel foram acrescentados.

O equipamento era de lata litografada, na velha tradição. Apesar do estilo carenado, a loco tinha o limpa-trilhos e a frente da caldeira litografados, para fazê-la parecer mais com os tipos de loco a vapor vistos no Brasil. Tinha parachoques de latão torneado e uma alavanca na cabine, para fazê-la andar ou parar. A loco, o tênder e os carros tinham 4 rodas. As rodas motrizes eram feitas de chumbo.

Fabricado inicialmente por "Metalúrgica Matarazzo S/A", mais tarde este nome foi mudado para "Metalma". O conjunto podia ser visto nas lojas de brinquedos até recentemente [N. R.: Até 1967, segundo Marcelo Lordeiro]. Ao longo dos anos, a única mudança foi nas cores. Os primeiros conjuntos eram verdes, mais tarde prateados, e ultimamente vermelhos.


NOTA JJEF PRODUÇÕES: Reparem que, aparentemente, o conjunto de trem de carga da foto acima foi descoberto após a publicação dessa notícia no Centro Oeste. Aparentemente o autor americano não sabia da existência desse modelo.

Erka

Os trens Erka foram produzidos de 1948 até o início dos anos 50. O conjunto era formado por uma loco a vapor, 2 carros de passageiros e um círculo de trilhos. Os conjuntos de carga tinham um vagão prancha e um vagão-tanque.
Um dos carros de passageiros tinha uma luz vermelha na cauda, sem engate. A loco usada no trem de carga tinha as janelas fechadas com cortinas.
Os carros de passageiros tinham janelas de acetato translúcido, branco ou azul claro. As inscrições eram decais. A loco trazia a inscrição "Expresso Transamérica". Os carros tinham inscrições de 1ª e 2ª Classe, Restaurante e Dormitório. Normalmente, locos e carros eram pintados de azul e creme; verde e creme; vermelho e creme. Outras cores podem ter existido em séries menores.
A loco e os carros da foto vêm de uma encomenda particular, em verde escuro e prata, com faixas amarelas. A sigla "EFB" aparece num emblema oval e a loco tem o n° 34 na da frente.
Os engates parecem uma versão aumentada dos engates M"rklin HO. Os trens eram feitos para operar em corrente alternada (CA) e não tinham mecanismo de reversão. Os primeiros conjuntos tinham uma linha circular formada por 14 seções de trilhos (grades) — e mais tarde, 16. O diâmetro do círculo era de aproximadamente 36'' (cerca de 914 mm). O fabricante produzia grades compatíveis com a bitola O Lionel e Märklin.
O equipamento era de livre-criação. A loco e os carros tinham 2-1/2'' (cerca de 63 mm); e 3-5/8'' de altura (cerca de 92 mm). A loco media 13-1/4'' entre os parachoques (336 mm), e os carros 11-1/4'' (286 mm).
A loco e carros tinham extremidades arredondadas e com janelas. A produção era muito limitada.
 Mistério
No início dos anos 50, foram produzidos alguns carros para combinar com Lionel, provavelmente no Rio de Janeiro. Vi-os freqüentemente em lojas de brinquedos, mas não sei qual era o fabricante. Todos seguiam protótipos brasileiros e tinham engates compatíveis com Lionel.


NOTA JJEF PRODUÇÕES: Essa postagem tem como objetivo contar um pouco da história de nosso ferreomodelismo em seus primórdios. Na época, o Centro Oeste não publicou as fotos por estarem ruins (são as duas P&B xerocadas), atiçando a curiosidade de muitos. Atualmente o site reproduz as fotos, mas somente ontem que eu encontrei-as, assim como fotos do Metalma coloridas na internet, o que me motivou a realizar essa postagem especial de Dia das Crianças.

Fontes:

Fotos:
- Caixa Metalma; vagões Pullman Metalma = Site Brinquedos Raros.
- Trem a vapor Metalma; Litorinas Erka; Trem de carga Metalma = Site Revista Centro Oeste / Revista Centro Oeste nº 75, Ano 9, 1º/Fev/1993. Editor: Flávio R. Cavalcanti.

Texto: Site Revista Centro Oeste / Revista Centro Oeste nº 75, Ano 9, 1º/Fev/1993. Editor: Flávio R. Cavalcanti.

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