Acima: o segundo modelo, de 1937, que foi o modelo básico das futuras gerações do Fusca até o fim de sua produção.domingo, 28 de fevereiro de 2010
Os 74 Anos do Fusca da VW.
Acima: o segundo modelo, de 1937, que foi o modelo básico das futuras gerações do Fusca até o fim de sua produção.quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Viajando para Batovi.
O primeiro problema é que a unica saída para Batovi para quem vem da cidade está totalmente abandonada. Com a construção de três novos bairros na região na última década, toda a água pluvial foi jogada para a adutora construída pela CPEF em 1916 com a construção da linha. A conclusão foi que as chuvas desse fim de ano destruíram a adutora em toda a extensão, em alguns pontos quase sendo intransitável trafegar com um carro. A estrada, que antigamente era melhor conservada, mesmo sendo de terra, e tendo possibilidade de cruzar dois caminhões com um carro parado ao lado, virou agora um caminho de lama, no meio da mata tropical que surgiu pelo leito da ferrovia abandonada.

A estação velha está meio reformada. Conversamos com o subprefeito do local, gente muito boa, simples, e com projetos grandiosos para o local, que deseja transformar a velha esplanada num centro de eventos, um posto médico, e muito mais. Desejo que ele consiga. Ainda esse ano a estação será restaurada nos moldes originais (foto abaixo).


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A Ponte Aérea Rio-São Paulo.
Numa foto clássica, quatro Lockheed L-188 Electra II da Varig no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, prontos para fazer a Ponte Aérea Rio - Saõ Paulo. Foto tirada em julho de 1991, por Daniel R. Carneiro.sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Uma Locomotiva de Alúminio Cromado.
A postagem de hoje é apenas para comentar a história da locomotiva da foto acima, uma das locomotivas diesel mais bonitas que existem.Idealizada pela Chicago, Burlington e Quincy, seria uma EMD E5A feita de alumínio, algo até então não experimentado pelos fabricantes de locomotivas. Apesar de ficar uma produção mais cara, a EMD, que já tinha produzido a Piooner Zephir articulado todo de alumínio, aceitou o desafio.
Essas locomotivas correriam com os novos trens Budd da empresa, entre Chicago e São Francisco e Los Angeles. Em 1945 saia a primeira da fábrica, reluzindo ao sol. A produção total foi de oito locomotivas. Mais leves e mais bonitas que as outras E5A, rapidamente ficaram famosas por aparecerem em filmes propagandas.
Funcionaram comercialmente até os anos 1960, quando foram desativadas junto com a maioria de locomotivas da série E e F da EMD. Uma foi recuperada nos anos 1980, e hoje corre em trens turísticos.
Sua carcaça é totalmente de alúminio, um feito técnico para a época, quando se julgava que tal material não seria bom para a construção de locomotivas por ser leve e derreter mais facilmente que o ferro. Um grande engano. Mas os custos de produção foram proibitivos para um lançamento em escala industrial, o que reduziu a produção para a encomenda da CBQRr apenas.
E setenta anos depois ainda corre, aerodinâmica e reluzente como no dia em que saiu da fábrica...
domingo, 14 de fevereiro de 2010
A Ferrovia de Rio Claro irá para Itu.
Acima: trecho da linha férrea que será retirada, em 2003, pouco após a passagem do último trem.quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
EFMM: o século XX e o futuro.
Acima: Percival Faqhuar, o grande industrial norte-americano que construiu a EFMM, em foto dos anos 1920.segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Madeira Mamoré: um pequeno resumo.
Acima: Locomotiva Baldwin nº 3 da EFMM repousa no km 2 da ferrovia em Porto Velho.
É muito difícil querer resumir uma epopéia que aconteceu nos últimos 300 anos em poucas linhas. O fato é que a EFMM é uma série de intrigas políticas e econômicas e sociais que mudou a história do país.
No século XVII foram realizadas as primeiras expedições (bandeiras) cruzando o rio Madeira e o rio Mamoré, na floresta amazônica. Esses rios eram altamente navegáveis em seu maior trecho, com excessão de uma extensão de 300 km recortado por cerca de 20 cachoeiras, muitas das quais eram impraticaveis com barcos, sendo necessário que se tirassem eles da água e arrasta-los por terra por fora dessas quedas d'água.
No século XVIII já existia um bom comércio de borracha na região, oriunda principalmente da Bolívia. Na época, este país ainda possuía o território do Acre e um porto para o Pacífico em Antofagasta. Mas por ser mais viável, as cargas saíam da Bolívia, passavam pelo rio Madeira, e seguiam para Manaus, onde seguiam para exportação. No local das cachoeiras, surgiram os povoados de Guajará Mirim, Abunã e Santo Antônio, nas três piores cachoeiras, além de Jirau.
No século XIX, o fluxo de cargas de borracha (e outras cargas) era muito grande, mas os desastres nas cachoeiras eram cada vez mais constantes. Por dia, morria-se uma pessoa e perdia-se pelo menos duas cargas naquele trecho de 300km. E para piorar, a guerra entre Bolíva e Chile fez com que o primeiro perdesse sua saída para o mar, ficando um país cercado por terras. Então todas as cargas passaram a sair pelo Madeira.
Foi no ano de 1850 que surgiram as primeiras propostas para evitar as cachoeiras: ou se construiria uma rodovia (rodovia na época era como se definia as trilhas de mula mais largas que uma picada), ou um conjunto de eclusas (seria o primeiro em grande escala no mundo se aceitassem a proposta, o que não ocorreu) e por fim construir uma ferrovia entre Santo Antônio e Guajará Mirim. Alguns ingleses de uma empreitera vieram naqueles anos 50 do século XIX para estudar qual proposta era melhor, e decidiram pela ferrovia. Mas antes de irem embora, levaram cerca de 20 mil sementes de seringueiras, que foram plantadas no sul da Ásia.
Em 1861 a firma Publick Works realizou um estudo a fundo e conseguiu uma concessão de 50 anos para operar a ferrovia, e construi-la em 4 anos. Grande quantidade de trilhos foram comprados, e maquinários também. Mas a insalubridade do lugar matou centenas de operários e ao fim de 4 anos nem um metro de linha tinha sido construído. A única coisa que foi feita foi a planta da ferrovia, entre Guajará e um ponto 7 quilômetros mais abaixo no rio que Santo Antônio, lugar que recebeu a denominação pátio 0.
Com a caducidade do contrato, outra firma inglesa, P&T Collins, realizou nova tentativa para construir a ferrovia. Com os mesmos benefícios da empresa anterior, enfrentou primeiramente o descrédito dos bancos, que não acreditavam ser possível construir a ferrovia naquele lugar insalubre e longe de tudo. Mesmo assim, no fim do primeiro ano de contrato, 3 quilômetros estavam prontos (enquanto o planejamento dizia-se 25km), partindo de Sto Antônio e não do pátio 0. No dia da inauguração, a locomotiva que participava da construção entrou numa curva, feita a olho por Collins, e descarrilhou. Posteriormente foi recuperada.
Ao fim do terceiro ano apenas 11 km haviam sido construídos (ao invés de 250km), e as dificuldades financeiras e sanitárias, que vitimaram outras centenas de pessoas, fizeram a empresa entrar em colapso. Para o cúmulo, uma revolta dos trabalhadores (alemães e italianos, na maioria), fez com que um grupo de 100 empregados entrassem no mato para fugir. Nunca mais se ouviu falar deles...
Novamente a caducidade do contrato fizera um estrago na economia local. Mais pessoas e cargas se perdiam na cachoeira dia a dia. A única coisa boa era que em Sto Antônio as cargas seguiam por trilhos (empurradas em vagonetas) e escapavam da cachoeira.
Em 1870, engenheiros brasileiros e franceses fizeram estudos na área, e chegaram a duas propostas: a primeira com 360km de comprimento partindo do pátio 0 e chegando a Guajará, seguindo o curso do rio, com valor de cerca de R$1 bilhão (valores atuais, para maior compreensão). A segunda proposta, de um francês, era uma ferrovia partindo de Sto Antônio e chegando em Guajará, com 260 km, cortando pela serra dos Caripunas, e custo de R$600 milhões de reais. Como na época os engenheiros brasileiros estavam em descrédito, o projeto francês foi aprovado pelo governo.
Mesmo perdendo a concessão, Collins tentou novamente a construção, mas as questões políticas internas no Brasil impediram que ele reassumisse o controle do projeto. E essas mesmas condições fizeram com que tudo fosse engavetado. Por fim, Collins surgiu com a planta do traçado ferroviário da Public Works, igual a do engenheiro brasileiro, o que elevou o interesse sobre o plano deste.
Em 1887 o Brasil anexava o Acre ao seu território. Dois anos antes houvera uma guerra civil e esse pequeno estado boliviano, colonizado por brasileiros, declarava independencia, e logo a seguir sua anexação no império brasileiro. A Bolívia aceitou perder seu território, desde que a já chamada Madeira Mamoré Railway fosse construída. Dom Pedro II garantiu que antes de 1900 a ferrovia estaria pronta. Dois anos depois ele perdia a coroa e a República que se instalava não cumpriu a promessa.
Lembremo-nos que quando Evo Morales expulsou a Petrobrás de território boliviano, ele disse que seu país vendeu o Acre por um punhado de ferro. Ele dizia a respeito desse contrato...
No final do século XIX e inicio do XX a história estava longe de acabar. Surgia a figura do Marechal Hermes da Fonsceca, de Theodore Roosevelt e de um industrial americano, que sonhava colonizar e industrializar o Brasil, chamado Percival Faqhuar.
E o papel desempenhado por esses homens, mais a construção, operação, deficit, emcampação pelo governo, abandono e destruição da EFMM, veremos no próximo capítulo dessa saga...
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
A História das Quintelas.
Acima: uma das quintelas, nº 7201, como helper em Rio Claro, em 09/12/2009. Foto do autor.
