segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Ônibus Aéreo Europeu.

Cruzeiro - Airbus A300B4-2C na pista de Salvador, nos anos 1980 Foto de Fernando Bichara.

Nos anos 1960 e início dos 1970, a indústria aeronáutica mundial estava concentrada nas mãos de cinco grandes fabricantes: as americanas Boeing, McDonnell Douglas e Lockeed; e as russas Tupolev e Ilyushin. Por serem fábricas voltadas para o mercado comunista, as duas últimas não eram (e ainda não são) consideradas empresas de peso no mercado aeronáutico. Restava só os americanos.
Na Europa, existiam empresas que um dia foram grandes e agora agonizavam, como a SUD AVIATION, a BAC, a Vickers e a Gloster. Foi nos anos 1960, com o Concorde, que começava a ressuscitar esses fabricantes.
Em 1972, a CASA espanhola, a Sud francesa e a BAC inglesa se uniam para formar o consórcio Airbus, para a construção de um avião "wide bodie" (corpo largo) que faria frente aos DC-10, B-747 e Tristar americanos. Em 1976 era lançado comercialmente o chamado Airbus A-300. Inicialmente, gozou de um grande sucesso comercial, principalmente na Europa, onde a Air France e KLM compraram tais aviões. Seu sucesso aumentou consideravelmente quando foram vendidas unidades para a Tailândia, África do Sul, Nigéria e URSS. Em 1978, a American Airlines encomendava 20 desses jatos, seguida depois de PanAm, United e Branniff (esta última cancelando a compra meses depois).
Por esse tempo o Brasil comprava também esse modelo, através da Cruzeiro do Sul e da Varig, com dois exemplares cada. E no mundo todo o avião continuava a ser vendido, chegando em 1981 a 250 unidades comercializadas.
Em 1980 era lançado o projeto A-310, um avião menor, mas ainda "wide bodie", para complementar o A-300. Este foi um grande sucesso na Europa e África, vendendo inúmeras unidades posteriormente para diversos países americanos. Em 1985, eram 320 A-300 e 115 A-310 negociados.
Nesse ano entraria em produção o que seria considerado o segundo jato mais fabricado no mundo. Inicialmente designado A-200, era um modelo convencional, fuselagem estreita, só dois motores. Depois, se tornou o A-320, que até hoje, com sua família vinda depois dele (A-318, A-319 e A-321), vendeu mais de 1500 unidades.
Em 1993, entrava em produção o A-330, que substituiria os B-767 e DC-10 mais antigos, ao mesmo tempo que a produção do A-310 acabava, com cerca de 300 unidades vendidas. O A-300 foi vendido até 1998 em sua versão cargueira, e com cerca de 500 unidades vendidas de todos os modelos.
Os modelos seguintes foram os A-340 (o avião com maior alcance no mundo, 13.400 milhas naúticas), e seus similares; o A-350 que é considerado um dos melhores do mundo; e o A-380, o maior avião de passageiros construído na história.
Hoje no Brasil voam os A-320, A-310 (apenas um exemplar) e A-330, podendo voar no futuro aqui os A-350 e A-380.
Não podemos negar que os Airbus sejam bons aviões, e que ameaçaram o domínio norte-americano no mercado aeronáutico. O único problema é seus altos indices de acidentes. Desde o lançamento do primeiro A-300 até hoje, um grande número de aviões já caiu (grande parte por falha humana). Diz-se que o material utilizado e as instruções e softwares usados apresentam problemas técnicos e estruturais. Mesmo assim, não se pode negar que nos últimos anos o mercado praticamente ficou dividido entre essas duas empresas, Boeing e EADS (novo nome do consórcio Airbus). Mas eis que surge a sombra de uma nova empresa, que rapidamente cresce e começa a ameaçar as duas gigantes, e que deseja ser a primeira um dia também: a brasileiríssima EMBRAER.
Mas essa já é outra história, do livro iniciado pela lenda de Ícaro, passando pelo padre Bartolomeu de Gusmão, pelo Conde Zepellin, pelos irmãos Wheigth e por Santos Dumont...

0 comentários:

Postar um comentário