quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Ramal de Descalvado.

Pátio da estação de Araras, em setembro de 2002. Foto de Rauph M. Giesbretch.

Inaugurado nos anos 70 do século XIX, o ramal de Descalvado seria o verdadeiro tronco da CPEF, que iria para Ribeirão Preto e depois para Minas Gerais. A linha de Rio Claro se tornou ramal. Construído em bitola larga, logo a intenção de chegar em Rib. Preto foi abandonada, já que a Mogiana chegara na frente da Paulista. Assim, o tronco de Descalvado parou na cidade de Pirassununga, e posteriormente foi levado até Aurora.

A linha entre Pirassununga e Aurora era uma estrada de ferro particular, de bitola 0,6 cm que foi comprada pela CPEF em 1930, e era o final do tronco de Descalvado.

Em 1892, com a compra da Rio Claro Railway, a linha tronco de Descalvado lentamente passou a ser o ramal para Descalvado. Em 1918, a inauguração do novo tronco da CPEF, partindo de Cordeirópolis, passando por Rio Claro, e chegando em Araraquara, tornou definitivamente a linha que partia também de Cordeiro para Descalvado em ramal.

Com a passagem dos anos e o agravamento da situação econômica das ferrovias, e com a estatização da CPEF em 1961, culminando com a criação da FEPASA, o trecho passou a ser menos usado. Em 1966, o ramal de Aurora foi desativado. Em 1977, trens de passageiro deixaram de rodar no ramal de Descalvado. Em 1989, os trens de cara também pararam. Em 1992, a linha entre Pirassununga e Descalvado foi retirada, e no ano seguinte, a linha entre Descalvado e Araras também. Em 1997 o ramal foi extinto, restando apenas o pequeno trecho entre Cordeirópolis e Araras, que foi retirado em 2002 pela Ferroban.

Hoje só resta as estações, algumas abandonadas, algumas pontes, aterros, pátios, a rotunda do ramal de Aurora em Descalvado e as histórias daquela época. Melhor sorte teve o ramal de Piracicaba, que sobreviveu e será reativado até junho de 2010 pela ALL.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ônibus Estação Turismo - opção de turismo em Rio Claro


Em 2004, foi implementado pela prefeitura municipal e pela empresa Rápido São Paulo o ônibus Estação Turismo. Partindo da antiga estação ferroviária, passava pelos pontos históricos de Rio Claro e terminava a visita na Usina do rio Corumbataí. Um ônibus jardineira adaptado para vinte pessoas foi colocado para tal linha, todos os sábados.
Infelizmente, problemas políticos descontinuaram com o serviço, mas foi retomado na atual administração, com o mesmo ônibus, reformado, e agora com mais atrativos. O serviço está com agenda lotada até outubro, fazendo com que seja necessário marcar dia para excursão.
Para quem se interessar, o serviço é em todos os sábados, em dois passeios de duração de três horas:
Manhã das 09:00 às 12:00 horas.
Tarde das 14:00 às 17 horas.
É recomendado que se use roupas e calçados confortáveis, além de boné e protetor solar. Para informações:
(19) 3534-1051 ou 3533-9977 ou 3532-4117; Falar com Ronei, Shriley ou Viviane.
Em tempo, antes que me perguntem, não havia nada que identificasse o chassi ou fabricante da carroceria do ônibus.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Meteorito e o Trem.

A foto acima foi tirada na estação Jacurici, sul da Bahia, no fim do século XIX. Na época essa linha estava sendo construída pelos franceses e posteriormente foi incorporada pela VFFLB - Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro. Talvez seja a foto mais rara e curiosa da ferrovia no Brasil, poir retrata o transporte do grande e conhecido meteorito Bendegó, que estava sendo levado para o Rio de Janeiro, onde até hoje está exposto. O meteorito é aquela pedra negra entre os dois homens em cima do vagão, na foto. Nada mal pra uma ferrovia que hoje, se não estiver desativada e erradicada, fica na pior malha férrea do país.

domingo, 26 de julho de 2009

Pontilhões de Rio Claro.

Acima: pontilhão da estrada do matadouro, na antiga linha Rio Claro Velha - Batovi Nova. Abaixo: pontilhão da av. 7, uma das principais vias de Rio Claro, na ligação entre Rio Claro Velha - Santana. Fotos extraídas do jornal Diário do Rio Claro.



Em 2000, com a paralização do tráfego de trens na linha entre Rio Claro Velha e Batovi Nova, a prefeitura municipal começou as obras no pontilhão da estrada do matadouro, ponte estreita que exigia reformas urgentes. Em 2002, passou o último trem pelo trecho, que era usado apenas em trens de manutenção, e a prefeitura aproveitou para fazer o corte do aterro e instalar as paredes de concreto para a futura reinstalação da linha férrea por cima. Só que, um mês depois, a ligação ferroviária foi dada como desativada, e as obras na ponte pararam. Nem a estrada ficou pronta (já que faltou liga-la com a nova ponte) e nem a linha foi reconstruída. O elefante branco da ponte da estrada do matadouro já consumiu R$2 milhões, e nem pronta ficou.

O pontilhão da av. 7 é outro problema de Rio Claro. Estreito, construído pela CPEF nos anos 1920 para melhorar o tráfego de trens e carros (na época era dois carros por dia, sem contar carroças e trabalhadores) e pessoas para a fábrica Matarazzo do outro lado linha, hoje sofre com o aumento do tráfego de carros na região. Um sinaleiro regula o trânsito, mas a solução seria alarga-la para duas pistas. Além de tudo, na época das chuvas seu sistema de drenagem é falho, e o fundo da passagem fica inundado, como na foto acima. Outro pontilhão igual a esse já foi tirado.

Entretanto, com a promessa da nova legislação de retirar todos os departamentos da ALL das oficinas do centro da cidade e transferi-las para a estação de Rio Claro Nova, a ponte do Matadouro e o pontilhão da av. 7 mudam de história. O primeiro ficará abandonado, já que o trem não voltará mais. O segundo seria soterrado, para fazer a rua em nível. No lugar dos trilhos e áreas adjacentes, seria feito uma auto-pista e um parque no canteiro central.

Para quem quiser conhecer o pontilhão da av. 7 e guardar uma lembrança dele, deve vir pela rodovia Washington Luíz, entrar na av. Tancredo Neves e seguir na continuação desta, a Av. Visconde do Rio Claro, virando a av. 7. Se conseguir enfrentar o trânsito, verá a passagem ainda no lugar. Por quanto tempo ficará assim, ninguém sabe...

sábado, 25 de julho de 2009

Estação de Aldeia, SP.


Na foto acima, feita por Rafael Correa na estação de Aldeia, próximo de Garça, SP, mostra alguns vagões ex-FEPASA modelos box da Pullman, Middletown, ACF e CCC abandonados em 2008. Aldeia tem esse nome por causa de uma aldeia indígena nas proximidades (quase 30 km!!!) da estação, e foi inaugurada quando o tronco oeste entrou em funcionamento.
Em 2003, o Jornal Nacional da Globo retratou que esses mesmos vagões já estavam abandonados nesse pátio, numa fila de 1,5 kms e 110 vagões. Desde então nada foi feito, quer dizer, no sentido de proteger esse patrimônio, pois desde aquela época muito material desses vagões já foi roubado.
NOTÍCIAS DO DIA (JJEF Produções):
Em virtude dos problemas que o servidor terra está passando, a partir de amanhã as postagens no Blog serão diárias e ganharão a seção NOTÍCIAS DO DIA.
Visitem e comentem:
http://fotolog.terra.com.br/jcct6 - General Motors TBM-3S Avenger da Marinha do Brasil.
Boa noite a todos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

De quem é a culpa?

A foto acima foi tirada em 1999, por João Baptista Lagos, em Itirapina, SP, pouco depois que a Ferroban, pressionada pela clausula contratual, voltou a rodar os trens de passageiros, ou antes, os depósitos de lixo ambulantes. Muitas fotos como essa foram feitas por vários autores em Jundiaí, Itirapina, Rio Claro, Campinas, Araraquara, etc.

Para muitos isso daí era um monte de papel velho, mofado e molhado, mas para nós, fãs ferroviários, seria uma mina de ouro. Quantas informações acerca da FEPASA encontrariamos ali... relatórios, cartas, relatórios anuais, relatórios de manutenção, listas de funcionários, documentos da época da criação da ferrovia, listas de reformas, inventários das estações, locomotivas e vagões, tabelas de perdas e ganhos, e sabe-se lá o que mais.

Interessante que as outras concessionárias, MRS, FCA, EFTC e FSA (hoje ALL) mantém os documentos da estatal RFFSA para uso interno, inclusive digitalizando eles para melhor busca. Mas CFN, Ferroban e Novoeste fizeram um verdadeiro furacão, abandonando trens, linhas, estações e tudo mais que puderam. E hoje quem paga o pato delas é quem ficou com elas.

Por exemplo, a ALL Norte fez muitas melhorias nos últimos três anos na malha da antiga BF, mas nem chega aos pés da ALL Sul, tal o abandono que estava a linha em 2006 quando a empresa paranaense comprou a malha norte. E o chamado Filé Mignon que é esses trilhos até hoje esperam por uma nova fase de glória.

A CFN, hoje Transnordestina Logística S.A., tem mais de 75% da malha paralisada por falta de verbas, e os 25% restantes nunca deram um lucro sequer, e os prometidos investimentos nunca chegaram. Sem contar que a Ferrovia Transnordestina (a mesma que Dom Pedro II iria inaugurar), prometida com alaridos para o fim de 2010 e início de 2011, não avançou nem mais de vinte quilômetros dos seus 1,5 mil km.

Ou seja, os culpados? O governo que esperou as ferrovias ficarem o "osso cheio de osteoporose" para privatizar, e as concessionárias que abandonaram a malha.

Ah, em tempo, quem acha que é só ferrovia, saibam que o fotolog Terra está doidinho da silva, porque não investiram para aumentar a memória do computador central dele e agora está paralisado por problemas técnicos (sem postar, sem comentar, sem vida, como essa estante cheia de papéis molhados na foto acima)...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

I Encontro de Ferreomodelismo de R. C. - últimas fotos.

Acima: modelo do EuroStar exposto no evento.

Acima: a EMD GM GP18 nº 7007 ALL com o trem de capina química. Maquete da A.F.A.

Acima: outra GP18, essa da FEPASA. Maquete da A.F.A.


Acima: a Lew da FEPASA, ex-CPEF, com o trem de passageiros. Maquete da A.F.A.
Gostaria de agradecer a todos pelas visitas e comentários que esse blog já teve. Também quero informar que o fotolog ficará desligado por alguns dias por problemas técnicos no servidor Terra. Abraços a todos, fiquem com Deus, até a próxima.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fotos do I Encontro (mais algumas).

Hoje trago fotos de alguns modelos de locomotivas que estavam no encontro, todas rodando nas maquetes. A variedade de material era imensa, indo desde uma manobreira a vapor da CPEF, passando pela Lew ex-CPEF com pintura da FEPASA, a Vandeca ex-CPEF também com pintura FEPASA e uma Alco AS-616 da EFS.

Abaixo: modelo de locomotiva a vapor manobreira da antiga CPEF. Maquete de Alexandre Ferreira, de Sta. Gertrudes.

Abaixo: locomotiva Lew ex-CPEF, feita de latão, na maquete da AFA.



Abaixo: outra raridade, uma Alco AS-616 ex-EFCB e ex-EFS, com pintura da Sorocabana, também feita em latão, na maquete da AFA.

Abaixo: a velha Vandeca da FEPASA, feita de latão, equipada com DCC e Som, passa pela ponte na maquete da AFA.



Por hoje é só. Aguardem novas fotos nos próximos dias. Visitem o fotolog JJEF Produções ( http://fotolog.terra.com.br/jjef ). Abraços a todos. T+.

sábado, 18 de julho de 2009

I Encontro: as fotos das maquetes.

Abaixo: quem não se lembra do FERRORAMA Estrela da década de 1970? Aí estava um para venda, código XP-1400.

Abaixo: o trem da FEPASA dá uma volta na maquete da AFA - Associação de Ferreomodelistas de Araraquara.


Abaixo: no diorama da estação de Rio Claro, o trem do Ramal de Analândia parte. Hoje não tem mais nada, só resta nas maquetes.

Abaixo: maquete ou real? Belas fotos dos trens passando nas maquetes.


Voltamos outro dia, com mais algumas fotos do encontro. Abraços a todos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

I Encontro de Ferreomodelismo de Rio Claro (+ fotos).

O primeiro encontro de ferreomodelismo de Rio Claro ocorreu dias 27 e 28 de junho na antiga estação ferroviária da CPEF. Mas o projeto começou dois meses antes, em abril, quando ocorreu a primeira reunião entre a Secretaria de Turismo (a qual agradecemos pela colaboração, em ceder espaço, em unir os ferreomodelistas e ajudar na propaganda) e os ferreomodelistas da cidade.

Na realidade, poucos pensavam que o projeto daria certo. Apenas Araraquara prestigiou o encontro com cinco maquetes deles, pois os outros cancelaram a participação após a FRATESCHI cancelar a dela também. Também os ferreomodelistas da cidade não pensavam que daria certo o evento.

No sábado 27, a situação parecia mudar: Araraquara veio em peso, com loja de ferreomodelismo, com a AFA - Associação de Ferreomodelismo de Araraquara - , com loja própria dos próprios associados; Santa Gertrudes teve um participante com maquete, Rio Claro teve quatro participantes com maquetes. Com dioramas e composições soltas, teve quatro participantes, mais um quinto com uma maquete 1/30 do trem R da CPEF. Uma exposição de peças ferroviárias da Paulista e FEPASA também era um ponto alto, e um trenzinho para as crianças ficou rodando pelo dia todo a velha plataforma da estação. Uma exposição do horto florestal da cidade, a abertura do velho túnel subterrâneo construído pela Paulista em 1960 e um passeio turístico que acabou na estação ajudaram muito a situação do evento.

Mas o movimento foi fraco o dia todo, e pra piorar...chuva, vento e granizo!!! Correria pra encaixotar trens, desligar e movimentar maquetes, cobri-las com plástico e espera para poder sair de guarda-chuva na rua. E o movimento menor ainda.

Finalmente o domingo, dia 28, estava bem melhor. Sol quente, sem nuvens no céu, e um movimento grande durante todo o dia, com a presença do prefeito e vice prefeita. Ao todo, 4500 pessoas passaram no domingo, enquanto que no sábado foram apenas 1500. Conclusão: um pequeno sucesso. E agora vem o que faltava, a Associação Rioclarense de Ferreomodelismo, se tudo correr bem, haverá muitas novidades nos próximos meses aqui na cidade...

Abaixo: suicídio ou esporte radical? O pessoal da AFA caprichou nas maquetes.


Abaixo: SD-40-2 e SD-18 da UP em escala N. Maquete da AFA.


Acima e abaixo: composição em escala 1/30 construída artesanalmente, representando o famoso Trem R da Paulista.

terça-feira, 14 de julho de 2009

I Encontro de Ferreomodelismo de Rio Claro (cont.)

Abaixo, vagão da antiga ATMA nas cores da EFCB, imitando o trem Cruzeiro do Sul.


Abaixo, ferrovelho construído na maquete da Associação de Ferreomodelismo de Araraquara.



Abaixo, locomotiva a vapor de escala S (1/50) exposta no evento.


Abaixo, fachada da estação de Rio Claro em miniatura construída por Antônio Cruz.


Gostaria de agradecer a todos que vieram no evento por nos ajudar a fortalecer o ferreomodelismo na cidade e no Brasil. Voltamos amanhã.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

I Encontro de Ferreomodelismo de Rio Claro.


Acima, modelo em escala HO da estação ferroviária de Rio Claro, nos tempos da CPEF. Modelada por Antônio Cruz.



Acima, vagão RFFSA/FEPASA para transporte de Pellets Citrícus. Modelado por Antônio Carlos de Mello.


Acima, GE Carioquinha da RFFSA. Modelada por Antônio Carlos de Mello.


Acima, modelo do carro Cebola da EFA, feito por Antônio Carlos de Mello.
A partir de hoje começaremos a postar as melhores fotos do I Encontro de Ferreomodelismo de Rio Claro, realizado dias 27 e 28 de junho na estação ferroviária da cidade. Foi um sucesso em número de expositores e em público.


domingo, 12 de julho de 2009

Peças do Passado.



As duas placas acima, de propriedade do sr. Getúlio Greve, são de um guindaste a vapor da CPEF e sobre a proibição de andar nas linhas sob pena de multa. Ficaram expostas no I Encontro de Ferreomodelismo de Rio Claro.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Estação Oliveiras - O exemplo do fim

A estação Oliveiras foi construída pela Estrada de Ferro Rio Claro, nos idos de 1880. Seu nome original era cuscuzeiro, em razão de ficar perto da colina de mesmo nome, que fica no munícipio de Analândia. Era o tronco principal para chegar em Araraquara, São Carlos, Bebedouro e tantas outras cidades do norte e oeste paulista. Em bitola de 1,00 m, cortava a serra dos padres, sendo que em certos lugares o trem ia tão devagar que os passageiros desciam para urinar ou esticar as pernas e ainda pegavam o último vagão vários minutos depois.

Com a venda da EFRC para a RCRy, e desta para a CPEF em 1892, ficou claro para a Paulista que não era viável a linha pela Serra dos Padres, como toda a linha até Bebedouro. Sendo assim, começou-se a construção do novo tronco, que levaria a linha a passar por Itirapina, cruzar a antiga em Visconde do Rio Claro e segui-la até São Carlos, de onde seguiriam separadas até Araraquara e Bebedouro.

Em 1916, com a inauguração da nova linha até São Carlos, o trecho do antigo tronco entre Analândia e Visconde do Pinhal teve as estações de Cuscuzeiro (agora Oliveiras) e Estrella fechadas. Em 1940, elas ainda estavam de pé, funcionando como posto de telégrafo e almoxarifado. Mas a CPEF desativou o trecho em bitola métrica entre São Carlos e Visconde, e logo depois de Visconde a Analândia (na época Annapolis).

Nada mais se sabe da estação. Em 1998, Nei Galvão da Silva foi até a região onde ficava a estação, hoje uma plantação de cana, e nada mais encontrou. Provavelmente a estação foi demolida já na década de 1940...

(Informações e fotos extraídas do site: http://estacoesferroviarias.com.br/index.html )

Abaixo, a estação Oliveiras em 1918, com o Cuscuzeiro ao fundo. Foto de Filemón Perez.


Abaixo, o provável local da estação Oliveiras, em 1998. Foto Nei Galvão da Silva.


segunda-feira, 6 de julho de 2009

As Elétricas da CPEF (1940-1999).

Durante a década de 1930, a CPEF aumentou suas linhas eletrificadas para Jaú, Bauru e Rincão, e seus planos eram ainda mais ambiciosos. Com a retificação do ramal de Agudos, virando o tronco oeste, a intenção era atravessar o Rio Paraná e avançar para Goiás, onde talvez chegaria até a futura capital federal, Brasília, na época ainda só em sonhos. Mas o número de locomotivas não acompahava o crescimento da malha elétrica, pois só recebiam duas locos inglesas, uma 1-C+C-1 Vickers Metropolitan e uma 1-D-1 Brow Boveri.


Em 1938, a CPEF, frente a pequena defasagem que já ocorria, frente ao grande aumento de linhas eletrificadas para o futuro, e tencionando melhores serviços aos usuários, encomendou mais locomotivas para a então poderossísima GE dos EUA. Essas locomotivas eram as EP-3 2-C+C-2 que a New York, New Haven e Harteford já usava, e eram a última evolução da famosa GG1 de 1935.


Ao todo, 22 locomotivas foram encomendadas, com entregas previstas para 1940 a 1942. As quatro primeiras, numeradas de 300 a 303, chegaram em 1940, mas a 2ª Guerra Mundial fez com que o resto das locomotivas e todos os planos de eletrificação fossem postergados. Ao chegarem, receberam o apelido de "Paulistinhas", uma faixa cromada no corpo e a pintura verde oliva da ferrovia.

Logo as quadradinhas da série 400 passaram a fazer apenas os trens "curva de rio", que paravam em todas as estações, enquanto outras iam para o sistema de cargas. As Paulistinhas ficaram com os expressos de Jundiaí a Rincão.


Em 1948, após o término da guerra, chegavam as 18 locomotivas restantes, agora já com o apelido definitivo, "V8". O motivo era simples: a frente delas lembrava o decote do maiô feminino em uso na época, que era o mesmo desenho do Ford V8 de 1948. O nome Paulistinha sumiu com os anos. Essas novas locos chegavam já com engates automáticos (ao contrário do engate de corrente das quatro primeiras) e as últimas vinham num padrão azul e creme novo, para diferenciar as locomotivas de passageiros das de carga. Com a chegada dos vagões da Pulman Standart Car em 1949/1950, formou-se o mais luxuoso trem que o mundo ao sul do equador já conheceu: O Trem Azul, ou Trem R.


Nos anos 1950, com a decadência das ferrovias se pronunciando, a eletrificação ficou de lado. A linha foi levada até Cabrália Paulista, e parou ali. O tronco oeste chegou em Panorama e estacionou. A eletrificação dos ramais de Piracicaba e Descalvado, e a eletrificação do tronco oeste até Tupã foram abandonadas.


Em 1951, chegaram as últimas locomotivas elétricas da CPEF privada: cinco locomotivas EF-5 2-D+D-2 da GE, de uma encomenda de 20 que a URSS havia feito e não foram entregues pela guerra fria. Foram numeradas de 450 a 454, e apelidadas de Russas. Foram as mais potentes locomotivas elétricas que já rodaram no Brasil. Usadas principalmente para cargas, revolucionaram o transporte da CPEF.


Por fim, vieram as últimas elétricas, já na CPEF estatal. Com o governo militar impedindo a importação de locomotivas para desenvolver essa indústria no Brasil, a CPEF comprou da GEVISA dez locos C+C, que foram entregues em 1967, e apelidadas de "Vanderléia", em homenagem a cantora da jovem guarda.


Em 1971 surge a FEPASA, que era a CPEF com o nome modificado, após absorver a CMEF, a EFA, a EFSPM e a EFS. Durante as duas décadas seguintes, as velhas box da CPEF eram desativadas, ficando apenas as V8, Russas e Vandecas, além de uma ou outra baratinha.


Na década de 1980, com o famigerado projeto de eletrificação do corredor Uberaba-Santos, cogitou-se a vinda de dez locomotivas EP-362 da Alsthom para as linhas entre Araraquara e Santos. Mas elas nunca vieram, e só duas na bitola métrica chegaram a funcionar.


Por outro lado vieram cinco locomotivas Escandalosas da RFFSA, ex-EFCB, que eram praticamente iguais as V8, com a diferença de serem de fabricação Westinghouse. Todas estavam em situação lastimável, mas foram recuperadas, recebendo a numeração de 6101 a 6103, e 6151 a 6152. Outras três desse modelo foram compradas para uso das peças na reforma dessas escandalosas.

Também dessa época remonta o VLT de Campinas, que eram carros de metrô leve vindos de Santos, e utilizaram as linhas abandonadas da EFS e CMEF dentro da cidade. O fato é que parte dos trilhos, substações e fiação utilizados para ele seriam utilizados na melhora das linhas da antiga CPEF, sendo a última experiência de uso da eletricidade nas linhas da FEPASA.

Finalmente, na década de 1990, as baratinhas foram desativadas, em 1996 a eletrificação deixou de chegar em Rincão, e em 1998 todas as russas e vandecas também. Em 1/1/1999, com a Ferroban assumindo a FEPASA (já então nas mãos da RFFSA e com o nome Malha Paulista), ocorreu a última viagem das V8, sendo que elas foram recolhidas em Bauru e Jundiaí.


Hoje, existem apenas algumas locos dessa fase: duas carcaças de vandecas em Jundiaí; uma vandeca inteira em Bauru; uma Russa inteira em Bauru; uma carcaça de Russa em Jundiaí; uma V8 em Bauru; uma em Araraquara; quatro em Jundiaí; quatro em São Paulo, sendo que uma foi para a ABPF e está sendo recuperada para uso.


Outras V8 e Russas existem em Bauru, mas aos pedaços.

Abaixo, locomotiva elétrica V8 da CPEF, já na FEPASA, mas ainda em suas cores originais.




Abaixo, locomotiva Russa, de 1951, com o primeiro padrão de pintura da FEPASA, em Jundiaí, nos anos 1970.



Abaixo, locomotiva elétrica Vandeca, ou Vanderléia, de 1967, também no primeiro padrão FEPASA.



Abaixo, por ocasião da entrega das locomotivas Vandeca para a CPEF em 1967, cinco delas foram perfiladas em Rio Claro, SP.


Abaixo, nos anos 1980 ocorreu a desativação das velhas locomotivas Box da CPEF, datadas de 1922 a 1930. Foto tirada em Jundiaí, SP. Autor desconhecido.


Abaixo, duas locomotivas Alsthom EP-362, da bitola métrica da FEPASA. Dez dessas locos viriam para as linhas largas da CPEF, mas tal não se concretizou.


Abaixo, a "Escandalosa" ex-EFCB/RFFSA 6101 já pintada nas cores da FEPASA, no fim dos anos 1980.


Abaixo, o VLT de Campinas, última experiência de eletrificação nas linhas da FEPASA. Funcionou entre 1992 e 1994.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Voltando a rotina...

Comunicamos que, por razões alheias as nossas vontades, não pudemos realizar postagens nesses últimos dias.
A partir de 2ª Feira, dia 06/07/2009, voltaremos com novas postagens.

Abraços a todos.