Acima: a linha de produção do Comet 2, em maio de 1954, o primeiro jato comercial do mundo, na Inglaterra. A Panair do Brasil encomendou alguns exemplares, e o da foto possivelmente seria o dela, mas nunca chegou a operar pela companhia brasileira.Mais interessante que a história dos aviões que operam pelas companhias aéreas comerciais no Brasil, é a história dos aviões que ficaram somente no contrato de acordo entre a companhia e o fabricante. Nosso país tem muitos exemplos disso.
Na década de 1950, a Panair do Brasil encomendou cinco jatos Comet 2 da De Havilland, e os receberia em 1955, para começar os vôos entre Brasil e EUA com aeronaves a jato puro, muito antes de sua rival VARIG. Mas antes da entrega ocorreram as famosas explosões e acidendtes que vitimaram uma centena de pessoas, que levaram ao fim da produção do primeiro jato comercial do mundo, e ao cancelamento da compra. A empresa preferiu os Caravelle franceses.
Ainda pela Panair, a intenção da empresa em 1963 seria a compra de pelo menos dois aviões Concorde supersônicos para as rotas para a Europa. Mas a cassação (ainda hoje inexplicável) da licença de vôo da empresa e a desistência da PanAm, dona dela, da compra do jato anglo-francês, fizeram esse sonho impossível.
Outra empresa que entra nesse hool de desistências é a Transbrasil. Em 1975 ela foi a primeira a encomendar o Boeing 757 e o Airbus A-300, mas passados alguns meses e depois das autoridades brasileiras negarem o pedido de compra (na época o mercado era totalmente controlado por todos os governos), as compras foram canceladas. Já nos anos 1990, a empresa comprou o novíssimo jato McDonnell Douglas MD-11, e quando os aviões já estavam prontos, a empresa cancelou o contrato, sendo ela a cliente lançadora do modelo para exportação.
Mais uma empresa que teve aviões cancelados foi a VASP. Em 1960, a empresa paulista comprou cinco Caravelles, que foram construídos e pintados, mas que ficaram na fábrica na França, pois o governo brasileiro mais uma vez impedia que o avião viesse ao país (o motivo parece irrisório hoje, mas alegaram que o jato para 90 passageiros não serviria para as "rotas de até 50 passageiros competindo com a VARIG"). E na década de 1980, após encomendar dez A-310, a empresa viu os jatos construídos mas recusou-se a recebe-los, porque não podiam voar, por lei interna do país, para o exterior e os A-310 eram para essa finalidade.
Outros casos ocorreram também, como empresas Charters, cargueiras ou regionais, que não receberam ou faliram antes de receber suas aeronaves.
A VARIG quase entrou na lista, no caso dos Douglas DC-8 da Panair (que operaram por mais dez anos na empresa gaúcha), dos Coronados da Real (que voaram apenas seis anos no Brasil) e com os Electra II (que tiveram a mais gloriosa carreira da aviação comercial brasileira, operando por 30 anos no Brasil com apenas um acidente grave e outro na qual a aeronave foi recuperada).
Mas de certa forma, ao recusar que a Cruzeiro, sua subsidiária nos anos 1980, comprasse os MD-80 da Douglas, a Varig acabou de entrar na lista das empresas que compraram, e não receberam ou operaram pouco tempo algum tipo de aeronave.

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