Finalmente foi confirmada a desativação e erradicação do trecho que liga Rio Claro Velha até Batovi. Esse trecho, de cerca de 10 quilômetros, é datado de 1916, construído pela CPEF, substituindo a velha linha que passava pela serra dos padres construída 40 anos antes.
A intenção da prefeitura é construir uma autopista nesse trecho, com ciclovia e três faixas para carros mais faixa de estacionamento. Um projeto antigo, já que desde 1970 vem se falando sobre essa desativação. Aliás, essa só foi possível porque fizeram uma boa oferta para a ALL, detentora da concessão, e que queria recuperar a linha para acessar as oficinas de manutenção de vagões da cidade. Para recuperar o trecho, teriam que gastar R$10 milhões para a recuperação, mais outros tantos para IPTU não pago (desde 1971 pela FEPASA). A ANTT e a prefeitura fizeram a oferta: perdão do IPTU e multa de apenas R$3 milhões para devolução do trecho, que foi repassado para a prefeitura logo em seguida.
Já ano que vem começarão as obras nesse local. E o prefeito ainda luta para tirar as oficinas para fazer o mesmo na outra parte da ferrovia. As oficinas iriam para a variante construída nos anos 1970 pela FEPASA, e que hoje só funciona para cruzamento de trens cargueiros.
Infelizmente Rio Claro perderá a oportunidade de colocar um VLT nesses trilhos antigos, trilhos que cortam os bairros mais populosos e o centro da cidade. Lógico que seria um sistema integrado com ônibus, estacionamento pago e seguro. Daria déficit sim, mas poderia ser amenizado com propagandas e outras fontes de renda. Mas o que importa isso se dá pra fazer uma auto pista cheia de lombadas, sinaleiros e cruzamentos?
A ferrovia na cidade está se acabando. Muito se perdeu pela própria FEPASA e Ferroban, que delapidaram o material daqui e enviaram para outras cidades. Hoje nem por vias judiciais se consegue recupera-lo.
Existe uma luz no fim do túnel: a prefeitura, mesmo com a auto estrada, quer construir um museu ferroviário e acertar a Associação de Ferreomodelismo para que tome conta do patrimônio. Mas duas coisas indicam que essa luz era só uma vela no meio do túnel e que está se apagando. A primeira: o entusiasmo do projeto esfriou abaixo de zero, e a segunda é a remoção dos vagões e locomotivas para irem para Bauru.
O tempo para que nossa cidade, berço ferroviário no país, grande pólo de história e cidade chave para a CPEF se redima está acabando. Só quando for tarde demais ela acordará. E as outras cidades junto.
Hoje não tem foto. Não quero postar fotos do trecho abandonado aqui, quero mostrar quando ele funcionava ainda, quero lembrar quando via a V8 passando ao lado de casa com o P indo para Bauru, Araraquara ou São Paulo.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
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Puxa vida que pena, sempre quis ir a Rio Claro para ver esses restos ferroviarios e documentalos .Vejo que terei que fazer rapidamente antes que seja tarde .seria otimo um VLT mas infelismente Campinas deixou a ideia má vista anos atras, e agora seria dificil essa ideia em uma cidade do interior.
ResponderExcluirFlavio, faça o quanto antes, já que os trilhos já foram arrancados, só resta a saída do lado das oficinas. Torça para que o projeto do museu de RC vá para frente, pois assim será preservada boa parte da história. Abraços.
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