sábado, 12 de dezembro de 2009

Ferro de Engomar...

Acima: a "Ferro de Engomar" em algum pátio do Rio de Janeiro, nos anos 1960. Foto enviada por Jorge da Silva. Sem informações quanto autor, local e data.
Como já descrevi nesse blog há algum tempo atrás, a maioria das locomotivas fabricadas no Brasil utilizou ou utiliza ainda equipamentos importados na confecção. Entre essas locomotivas, a mais rara é a chamada "Ferro de Engomar", da EFCB.
Nos anos 1930, a Central começava a eletrificar seus subúrbios no Rio de Janeiro, com material da Brown Boveri e da Metropolitan Vickers inglesas. O planejamento era acabar a década com todo o material rodante e toda a eletrificação concluída. Mas já ferrovia do governo, sem recursos, deficitária desde sua criação, a EFCB não conseguia cumprir o cronograma das obras, e no fim de 1939 apenas um terço dos trilhos planejados haviam recebido eletrificação. E dos vinte TUEs esperados, apenas quatro chegaram, com todas as peças de reposição para os vinte.
Em 1940, por causa do esforço de guerra inglês, para deter o avanço nazista na II Guerra Mundial, as empresas inglesas abandonaram o contrato, que foi caducado em 1944. Sem meios de conseguir continuar seu plano de eletrificação, a Central continuou usando suas velhas locos a vapor, e seus novos TUEs, que contavam com o estoque de peças.
Foi então que alguém teve a genial idéia de pegar um lote das reposições e montar uma locomotiva elétrica. Com dois motores, pantógrafo, componentes elétricos, e até cabine de TUE, a locomotiva só recebeu truques e carcaça no Brasil, confeccionada nas oficinas da Central. Em 1944, entrava em circulação a loco Ferro de Engomar, apelido recebido pela forma com que tinha sido construída. Apenas uma foi feita.
Por usar componentes de TUE, seu desempenho para trens cargueiros era mediocre, e mesmo os de passageiros não fluíam bem com ela. Acabou virando uma manobreira e locomotiva de socorro, apesar que era usada para rebocar os trens menores de suburbio.
Com o fim da guerra, o programa de eletrificação se intensificou, e no fim da década chegavam as "Escandalosas" 2-C+C-2, que poderiam fazer os trens de carga e passageiros para a ferrovia. Também chegavam mais TUEs, ingleses também, mas de série mais nova. Sendo diferentes dos TUEs antigos, e consequentemente da Ferro de Engomar, esses lentamente começaram a sair de circulação.
Nos anos 1950 e inicio dos 60, ainda se via dois TUEs antigos e a loco rodando pela baixada fluminense, mas logo ela também seria baixada, para ceder peças para os trens unidades. Destes, um sobreviveu, foi reformado e se transformou no Barrinha, e, segundo me consta, está abandonado hoje na estação Leopoldina (mas não consegui confirmar isso).
Até hoje, apesar de intensas pesquisas na internet, nos acervos que lentamente se abrem para o mundo digital, a unica foto encontrada da Ferro de Engomar é a que ilustra esse artigo. Espero, como todos os railfans, que isso seja um engano, e que logo alguém encontre várias outras fotos da loco, em diferentes épocas, até mesmo no dia do corte dela, para serem guardadas para a posteridade.

2 comentários:

  1. Jonatas, foi uma louvável iniciativa escrever este artigo no entanto voc~e passou batido por alguns detalhes muito importantes.
    1-Ao pátio é São diogo
    2- o plano de eletrificação da EFCB, atrasoiumuito mais devido ao comprometimento internacional em fornecer para o esforço de guerra do que deficitariedade da EFCB, entre 1935 e 1939 o programa segui dentro dos prazos, e a partir daí devido ao envolvimento ingl~es na guerra teve problemas.
    3- Depois do abandono Inglês do contrato a EFCB que tinha uma espécie de encubadora de empresas , passou a nacionalizar tudo o que pudesse. Lembrando que nessa época o Brasil nem siderúrgica possuía, nessa é que aíram as locomotivas projetadas e construídas pela própia companhia e em empresas brasileiras brasileiras, ferro de engomar e prado uchoa.
    4-Os trens que serviram de base para a ferro-de-engomar, foram os TUES série 100, ingleses de 1937, em serviço regular nos subúrbios em quantidades razoáveis até 1987, e daí em diante como carros reboques na bitola métrica, trens de socorro, e transporte interno de passageiros país a fora até hoje!
    Existem diversos ex-TUE série 100 em serviço e abandonados país a fora, o trem abandonado na Leopoldina é o TUE 101.
    os TUE de 1952, série 200, eram diferrentes dos 100 mais na estética do que na mecânica, eletrica-mecanicamente eram quase idênticos.
    As ferro de engomar foram uma tentativa de aprender a fabricar locos no brasil, elas com apenas 1000hp, nasceram para ser manobreiras, e provavelmente foram sucateadas pela deseletrificação dos serviços de carga da EFCB. Ocorrida nos anos 70, a ferro de engomar provavelmente foi depenada para atender a precária frota de subúrbios na época.
    já ia esquecendo, toda a metal mecãnica da montagem foi da EFCB, a máquina não usou partes de carcaça de TUE, nem a cabine.
    Do mesmo ninho de onde brotou a ferro de engomar vieram as "marcelina", "brasinhas', manobreiras feitas a princípio aproveitando partes de TUE baixados.

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  2. Obrigado pelas correções, Parah. Abraços.

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