domingo, 27 de setembro de 2009

Santa Cruz e Vera Cruz

Trem Expresso Santa Cruz passa pela Estação Maracanã, em 1962. Foto Hanriot Bloomfield.
Na década de 1950, os trens expressos Cruzeiro do Sul, da EFCB, já eram considerados obsoletos. A CPEF, considerada a melhor ferrovia na América Latina, já havia renovado seu material rodante com o trem expresso "R", da Pullman Standart Car. Para não ficar atrás da sua "rival" paulista, a Central resolveu que era hora de renovar seus trens expressos.
Em 1949, chegaram as doze Alco FA-1 apelidadas Biriba, que receberam a pintura creme e vermelha da época por alguns meses. As últimas locomotivas do lote já chegaram com a pintura papo amarelo, azul e amarelo. Em 1951, chegavam os 60 vagões metálicos encomendados dois anos antes à própria Pullman Standart Car. Considerados mais modernos que os vagões da CPEF, eram divididos da seguinte forma:
8 carros bagagem;
30 carros poltrona;
8 carros restaurante;
10 carros dormitório;
2 carros cauda, para administração;
2 carros geradores.
Assim, com os vagões subdivididos, dois novos trens expressos duplos foram formados, em rota do RJ para SP e BH: o Santa Cruz e o Vera Cruz.
Rebocados em parte pelas novas locomotivas elétricas Westinghouse 2-C+C-2 "Escandalosas" e pelas FA-1, os trens faziam diariamente os dois trechos em dois horários, em apenas 10 horas na média. Na mesma partiam, da estação Central do Brasil, no RJ, os trens para a capital paulista e para a capital mineira. Nessa mesma hora, nas duas outras capitais, partiam os trens de volta.
Os trens duraram até a segunda metade da década de 1970. Nessa época, já as "Escandalosas" não funcionavam na Central, e as Biribas já estavam sendo desativadas. As novas locomotivas GE U23C rebocavam os trens, agora reduzidos a um diário para cada linha e sentido. Em 1978, os trens foram cancelados, junto com grande parte dos trens de passageiros da RFFSA.
Em 1981, eles voltavam a rodar. Em 1983, o trem entre Rio de Janeiro-Belo Horizonte foi cancelado. No ano seguinte, foi o para São Paulo. Ainda se tentou usar os carros para um novo trem, na ferrovia do aço e na linha do centro, mas que não vingou além da viagem inaugural.
Abandonados em Juiz de Fora, os carros ainda eram usados para trens especiais ou de comemoração, até que parte deles foi restaurada por intermédio de uma empresa particular em convênio com a RFFSA, para operação novamente na década de 1990, sob o novo nome de "Trem de Prata".
Mas isso já é outra história...

2 comentários:

  1. Caro amigo
    Tenho a impressão que a CENTRAL comprou carros de um fabricante e a Companhia Paulista comprou de outro. Saudações

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  2. Anonimo, é isso aí mesmo. Um foi da Pullman, outro da Budd. Abraços.

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